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Cuca é o treinador certo para o São Paulo, mas que chega (ou chegará) em uma hora errada


A contratação de Cuca para daqui há 2 meses pelo São Paulo expôs um dos grandes problemas ao qual o time passa de uns bons anos para cá: a fraqueza de ideias e a dependência de grandes nomes para tentar voltar a ser o que já foi (e muito bem, lembre-se!) um dia: um clube de títulos e de história recheada, sempre favorito a conquistar algo quaisquer fossem as competições.

Estadual, nacional ou continental. Até o final da primeira década do século XXI, o tricolor sempre despontava como o grande time a ser batido. Mais do que isso, era sempre um grande candidato a conquistas.

Mas, muda diretoria, muda presidência e, nos último anos a situação se repete. A seca de títulos desde 2008 fica ainda mais evidente.

Muitos irão pensar, e com certa lógica, que o time faturou a Sul-Americana de 2012. Mas cá entre nós, um time que até ali já era 6 vezes Campeão Brasileiro e possuía 3 Libertadores e 3 Mundiais não pode comemorar uma conquista dessa considerando como grande façanha.

O São Paulo pode e merece muito mais do que isso.

E aí é que entro na contratação de Cuca. E ressalto que nada tenho contra o treinador e espero que dentro de 2 meses como é o planejado, que ele se restabeleça, esteja pronto para voltar a trabalhar e que realize mais um grande projeto futebolístico na carreira.

O problema é o tamanho do prazo para esperá-lo, 2 meses (hoje quando posto já se foram 6 dias desse prazo). Nesse período muita coisa acontece nos clubes, no futebol, na bola e na vida.

Mesmo que o São Paulo tenha só o Paulistão e mesmo que Mancini e Cuca se conversem diariamente onde todos os detalhes sejam discutidos e colocados em pauta, nada é melhor e mais importante do que a experiência sensorial e emocional, criar o convívio e a percepção, vivendo o cotidiano, das horas as quais o plantel e os funcionários estão passando, dia após dia.

É muito difícil ter qualquer percepção por telefone, por mais que a pessoa que transmita a mensagem do outro lado seja inteligente, honesta, idônea e consiga ter a leitura correta do que acontece no dia a dia tricolor.

Não, não tem como.

Mesmo que sejam passadas todas as informações com uma precisão quase que total, não dá para entender o convívio diário. Além disso, não se consegue imaginar que o São Paulo de hoje será o mesmo do que estará daqui a 60 dias.

Como estará o ambiente? Como estará a fase do São Paulo? Como recomeçar uma temporada ao passo que os adversário estão em pleno momento de auge e força?

Outro ponto em questão. E se o tratamento do Cuca durar mais do que os 2 meses restantes? Ou o médico não recomende, após o final dos cuidados de saúde feitos, um pronto retorno do treinador?

O corpo é uma máquina e, como toda ela, não dá para se cravar um prazo exato para isso. O corpo humano não tem o funcionamento de um robô. Não é uma ciência exata.

Mais uma vez reitero e acho importante frisar (ainda mais nos dias de hoje) que desejo e torço para que Cuca volte bem e no período estipulado pelo médico que acompanha o seu tratamento e cuida de sua saúde.

Mas o São Paulo poderia arriscar outros nomes agora.

Mesmo com a dificuldade de se ter novamente Osório, por exemplo. Até pelo modo como pediu para deixar a seleção paraguaia, para tratar de questões familiares, poderia ser mais complicado o seu retorno. Mas seria uma opção a se buscar.

Não quer Osório? Ok.

Seja arrojado e busque Sebastian Beccacece, técnico que era auxiliar de Jorge Sampaoli no Mundial da Rússia (embora isso não possa valer muito) mas que faz um belo trabalho com o pequeno Defensa y Justicia e que tem uma leitura de jogo muito interessante, que poderia valer ao São Paulo nesses momentos de reestruturação.

Mas não, o São Paulo quer Cuca e acha que a fórmula feita de treinador que só chega daqui a 60 dias é válida. O São Paulo guarda todas as suas esperanças nas mãos de um treinador que deve ser reconhecido pelos títulos importantes que conquistou com o Atlético-MG e Palmeiras, mas que não sabemos como estará daqui a 2 meses.

E o pior, não saberemos o Tricolor que irá encarar lá, quando começar de fato o seu trabalho.

Com isso, o São Paulo vai se apequenando, como nunca foi visto nas últimas décadas.

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