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Luiz Ademar: “…ganhará espaço nas webs quem conseguir aliar qualidade e competência em sua equipe esportiva.”


Conforme anunciado nos últimos dias, o Painel da Webrádio inicia uma série de entrevistas com os principais presidentes de associações de cronistas esportivos do país.

Iniciamos as nossas matérias com Luiz Ademar, profissional com grande experiência em jornalismo esportivo, comentarista dos canais Sportv e também presidente da ACEESP, Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo.

Nessa entrevista, Luiz Ademar fala sobre os desafios e a luta diária de comandar uma associação com o maior número de rádios e webs do país e destaca sua visão sobre o meio webrádio.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

 

Painel – A ACEESP é uma grande associação, renomada e conhecida no país todo. É difícil a atividade diária de dirigir a ACEESP?

Luiz Ademar: É difícil porque pensam que a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo tem poder de sindicato. Somos, apenas, uma associação de credenciamento e organização da imprensa em praças esportivas. Credenciamos para os jornalistas terem acesso aos eventos, quando são fiscalizados por profissionais da FPF, CBF, Conmebol e Fifa. Devemos e podemos agir, sempre dialogando, quando acontecem problemas no local do trabalho. O cara que fala besteira em rádio e tv, que é tendencioso, que não tem ética ou linha editorial, por exemplo, não é um problema da ACEESP. É do sindicato e da sua chefia de jornalismo e esporte. Claro que quando vejo que a situação está insustentável, ou existe revolta muito grande, por livre e espontânea vontade, eu ligo para o profissional e peço para ele refletir o que está acontecendo, os danos que ele pode causar para a profissão e “tento´´, isso mesmo, tento, pois não tenho poder nenhum que não seja o diálogo, mostrar que se esse caminho for mantido a ACEESP pode futuramente não credenciá-lo.
No mais, com todo dinheiro arrecadado com credenciamento, procuro devolver para categorias coim cursos, como direito desportivo, medicina esportiva, arbitragem, além de Simpósios, Seminários, Encontro de Cronistas Esportivos com estudantes de jornalismo, Anuário, Entrega do Prêmio Melhores do Ano, e festivais esportivos, com competições de futebol e tênis, por exemplo. É corrido, mas nada difícil de ser conciliado com meu trabalho. O presidente, e nenhum diretor, têm salário. É cargo voluntário, de paixão à profissão.
Painel – Você é um profissional experiente do jornalismo esportivo, como você vê hoje o trabalho das webrádios esportivas?

Luiz Ademar: Vejo futuro promissor para as webs, seja em TV ou rádio. Claro que todas, mesmo as mais criativas e profissionais, ainda precisam de investimentos e, penso eu, retorno comercial para seguir o mesmo caminhos de sucessor das emissoras de rádio. Mas acredito que com o passar do tempo, e me parece que isso vem acontecendo, a audiência vai crescendo, o público se fidelizando e o trabalho fluindo com mais naturalidade. No esporte, alguns bons projetos não foram para frente, e outros se consolidam, com programação setorizada, ou de abrangência em todos os esportes. Mas o legal é que a profissionalização vem acontecendo e abrindo novos campos de trabalho.

Painel – Quais são as qualidades que você aponta no trabalho das webs esportivas?

Luiz Ademar: Sempre fui e continuo sendo fã de rádio. O imediatismo da notícia, das entrevistas, do jogo em si, me fascinam. As webs esportivas são assim, com agilidade, eficiência e em busca da notícia acima de qualquer situação adversa. Não sei se estou certo, mas procuro não desassociar rádios e webs, pois entendo que todas têm os mesmos objetivos e o buscam fazer com extrema competência. Foi por isso que na Aceesp criei os prêmios de webs, para valorizar os seus profissionais e mostrar que o trabalho precisa ser valorizado, assim como fazemos com emissoras de rádios e TVs.

Painel – Quais são os pontos que você, Luiz Ademar, vê que necessitam ser aperfeiçoados nas webrádios brasileiras.

Luiz Ademar: Por falta de investimentos, ainda, pelo menos é o que me parece, geralmente as webs trabalham com profissionais que estão em início de carreira, ou ainda cursando jornalismo, mas também com pessoas sem formação profissional, que gostam de esporte, em especial futebol, e querem trabalhar no setor esportivo. Penso que as equipes esportivas de web precisam se qualificar um pouco mais, não deixar que qualquer torcedor ou pessoa sem formação profissional ou experiência no setor, ou ex-isso, ex-aquilo, saia com o microfone em mãos falando o que vem na mente. Eu, como ouvinte, procuro a qualidade, e por isso vejo que ganhará espaço nas webs quem conseguir aliar qualidade e competência em sua equipe esportiva.
Painel – Hoje existem muitas webrádios no país que querem transmitir, in loco, as competições. Existe triagem ou alguns critérios de escolha específicos para as webs conseguirem as credenciais a ACEESP? (Como por exemplo os profissionais terem DRT, MTB ou outros atributos.)

Luiz Ademar: Essa preocupação com as Webs existe desde meu início na Aceesp, em fevereiro de 2010 (fui eleito para o primeiro mandato de fevereiro de 2010 a fevereiro de 2013, quando fui reeleito e meu segundo, e último mandato, vai até fevereiro de 2016). Venho conversando seguidamente com minha diretoria, com os presidentes Marcos Polo Del Nero (FPF e a partir do dia 16/4 da CBF), José Maria Marin (CBF e vice da entidade a partir de 16/4), fiscais da FPF e diretoria da ACEB (Associação dos Cronistas Esportivos do Brasil). Obrigatoriamente precisamos fazer triagem devido ao surgimento de inúmeras webs. As emissoras que transmitem e compram os direitos dos campeonatos (Globo, Bandeirantes, Sportv e alguns casos FOX e ESPN) também conversam muito comigo a respeito sobre o assunto.
Para não me alongar no assunto, em primeiro lugar, quando webrádios me procuram eu peço toda a documentação da empresa e de seus profissionais que querem se cadastrar. A partir do momento que a documentação está correta, eu peço que procurem a FPF para conseguirem cabines para suas transmissões nos estádios. Com toda papelada da empresa e da FPF, garantindo lugares para trabalhar, sigo o estatuto da ACEESP para credenciar os profissionais. Para ser sócio, obrigatoriamente, é preciso ter DRT ou MTB, ou seja, ter formação específica. Para se credenciar, sem ser sócio, é preciso solicitação da empresa, em papel timbrado, e comprovação que exerce a função solicitada.
Painel – Hoje existem associações que organizam a imprensa esportiva como a ACEESP, a ABRACE e associações de rádios nacionais, como a ABERT. A criação de uma associação das webrádios poderia fortalecer o meio webrádio?

Luiz Ademar: Eu creio que sim! Vou dar exemplo. A ABRACE perdeu, há anos, credibilidade. Não é recebida pela CBF, não traz benefício nenhum para a categoria e o seu atual presidente se perpetua, há décadas, no poder. Ao percebermos a inércia da ABRACE e a falta de legitimidade, pois sequer é recebida pela empresa que faz o credenciamento dos jogos da Seleção Brasileira e sua credencial é deixada de lado, os estados com clubes mais fortes nas Séries A e B do Brasileiro: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Rio Grande do Norte, Manaus, Roraima, e contando com o apoio de Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Goiás, entre outros, fundamos a ACEB – Associação dos Cronistas Esportivos do Brasil. Já nos reunimos com CBF e Federações Estaduais e estamos fazendo planos de trabalho nacional para valorizar e facilitar a vida dos cronistas esportivos. Portanto, uma associação de Webs poderia depurar os bons dos ruins e facilitar a vida dos seus profissionais.

 

Painel – Existem milhares de webs no país, mas grande parte delas não desenvolve um trabalho profissional ou de revelação de talentos, imagino o quão grande deva ser o número de webs que pedem o credenciamento para a ACEESP. A criação dessa associação das webs, no âmbito e segmento esportivo poderia melhorar a comunicação e até o pedido de credenciamento junto com a ACEESP?

Luiz Ademar: Não necessariamente é preciso ser do segmento esportivo para atuar na área. Vejam, por exemplo, nas rádios, que a CBN é forte em jornalismo, e a Transamérica, no FM, em programação musical. Mas as duas têm equipes competentes no esporte. Claro que é mais fácil webs esportiva pleitearem espaços em estádios, coberturas de treinos e principais eventos esportivos, e credenciamento. Porém, no meu entender, o profissionalismo deve imperar sempre. Para trabalhar e atuar no setor é preciso documentação oficializando a empresa e comprovando vínculo com os profissionais que trabalham no esporte. É preciso ter responsabilidades e se responsabilizar pela sua equipe esportiva. Com isso, pode apostar, já minamos diversas propostas logo de cara. Os bons, competentes e profissionais vão se estabelecer. Pode apostar!
Painel – Com a sua experiência, qual dica você dá aos profissionais e diretores de webrádios?

Luiz Ademar: Que valorizem e invistam em suas equipes esportivas. Que priorizem as pessoas que tenham pelo menos noção em jornalismo, em especial, com formação profissional. Estamos precisando qualificar os cronistas esportivos e minimizar os convidados. As webs têm futuro ainda mais promissor pela frente. As competentes, assim como em qualquer setor de atividade, vão se estabelecer. Mas para que isso aconteça a qualidade das equipes esportivas precisam caminhar lado a lado com qualidade da sua programação.

 

O Painel agradece a atenção de Luiz Ademar com a nossa redação e, nos próximos dias, irá entrevistar presidentes de outras associações espalhadas pelo país.

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