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EDITORIAL: Porque não roer o osso? Degustar filé é facil, principalmente o pago por outros


Sou de uma época de webrádios em que tínhamos naturalmente um respeito e um conhecimento pelo que acontecia no mercado de comunicação.

Lembro como se fosse ontem, doze anos atrás (sim, estamos falando de 2002), quando montava a Teen Webrádio ao lado do brother Rener Lopes e sonhávamos em fazer transmissões esportivas.

A primeira coisa que pensamentos no momento das coberturas foi a de consultar profissionais especializados, para saber o que pode e o que não se poderia ser transmitido (tinha 14 anos e o Rener próximo dessa idade também e já sabíamos dessa informação, afinal de contas para poder montar uma webrádio deveria saber no mínimo disso) e chegamos a uma conclusão: não poderíamos transmitir as competições da FIFA, UEFA, F1 e as ligadas ao COI e outras cujos direitos foram adquiridos por outras empresas.

Toda ideia nova que aparecia sobre transmissões e coberturas, buscávamos consultar sempre se era ou não era permitido. E lá íamos nós, com os skypes e simplecasts da vida devidamente conectados, quando a internet de 1Mb era novidade e aos trancos e barrancos transmitíamos os jogos: Paulistão, Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e outros regionais. E por aí vai!

Brother, não era fácil para nós, aliás, nunca foi fácil, sabíamos disso e isso nos deixava mais felizes e empolgados.

Durante todo o tempo de Teen, além de sentirmos orgulho pelas transmissões, dormíamos tranquilos sabendo que, dentro das limitações normais das webs fazíamos o nosso melhor.

Depois comecei a montar outras webs, a TOP Webrádio, que depois veio a se tornar rock e que também tinha a concepção junto com a equipe de esporte, de que não poderia ser transmitido competições, cujos direitos fossem atrelados ou adquiridos por outras empresas. Independe se éramos pequenos ou não.

“Ah, mas ninguém vai perceber! Afinal somos só webrádios, nossa audiência era em uma média de 150 a 200 ouvintes simultâneos, cerca de 2 mil a 3 mil pessoas nos ouviam, logicamente iríamos ter uma audiência maior se transmitíssemos os filés como Champions League, F1, Mundial da FIFA e por aí vai.” – Não, esse não era nosso pensamento, como queríamos ingressar em uma rádio ou TV futuramente, existia-se a clara noção de que não poderíamos fazer isso: temos de respeitar o mercado era a nossa ideologia, por uma questão de ética, de educação, de cultura e mais, de respeito.

Aí veio a oportunidade de narrar na Rede Super Sucesso e logo após um desafio inovador, aos 22 anos comandar o setor de esportes da rádio. Não tinha grana e nem a equipe tinha, mas a vontade de fazer nos levou a transmitir jogos, no início, com uma TV de 14 polegadas e depois, juntar dinheiro com o coordenador da rádio e comprarmos uma 29 polegadas usada.

Fizemos uma bela programação especial de Copa do Mundo, com programas diários falando sobre os jogos, mas nunca transmitimos a competição, era sabido que os direitos tinham de ser comprados e, como não possuíamos grana, cobrimos o que pudemos.

Aí veio a oportunidade no Grupo Bandeirantes (onde hoje tenho a minha segunda passagem). Via todo o cuidado que os profissionais das rádios e TVs do grupo tinham referente a direitos de transmissão, sempre consultando as entidades, o departamento jurídico; tudo para saber se era possível ou não a transmissão daquele determinado jogo ou daquela competição. Tive então a prova, o que fiz nas webs estava certíssimo e isso dava ainda mais orgulho de destacar a todos que perguntavam onde comecei, no meio web.

É galera, lá se vão 12 anos de webs e 7 anos de rádio. Hoje, como jornalista formado, vejo muitos comentários de que “é difícil sustentar uma web” ou então “ninguém nos ouve, não temos grana” e acredite, sei disso melhor do que ninguém, não só por ler, mas por experiência própria.

O que acho interessante, para não dizer engraçado, é que diferente de outrora, temos internet com altíssimo poder de capacidade, bem diferente do que era anteriormente e a proximidade com donos de competições e também de vários eventos, que estão doidinhos para ter um destaque, seja ele em webs, rádios e TVs.

Não venham me dizer que isso é utopia, pois no próprio Painel divulguei nos mais de 3 anos em que estamos no ar, de webs que transmitiram o rugby, o futebol americano nacional, o futebol feminino, as competições nacionais de automobilismo, as séries e divisões regionais e nacionais do futebol e por aí vai.

Ora, se a webrádio é conhecida notoriamente por ser um meio formador de bons profissionais, porque não dar cancha e experiência com eventos que não tem tanta tradição, mas nos traz uma riqueza de experiência infindável.

A gente não começa com o filé, começa roendo o osso, é assim na vida, é assim com todos, uns mais outros menos, mas sempre foi assim. Na minha carreira comecei produtor, repórter, apresentador e narrador, assim foi na Super Sucesso, assim foi no Grupo Bandeirantes, a gente vai crescendo e aprendendo.

Então qual a vergonha ou o real motivo de não querer ser diferente, de ousar e arriscar, de transmitir competições menores ou de divulgação não tão maciça? A galera que conhece webrádio e sabe do que estou falando vê o quão é duro a gente fazer uma web hoje em dia, mas o quão prazeroso é encerrar um trabalho de jornada esportiva, independente se é Série A, B ou C, independente se é o maior clássico do mundo ou o jogo mais irrelevante para uma tabela. Jogo é jogo, aprendizado é aprendizado.

Mas hoje, infelizmente vivemos em uma sociedade em que só temos os direitos, mas grande parte esquece dos deveres e obrigações. Triste e decepcionante ver que algumas webs (não todas, que fique bem claro! Tem muita gente competente e muita web que faz um trabalho espetacular) preferem sentar na própria ostentação, se julgar inocente e, mesmo com uma inexperiência na atividade ou até uma incoerência profunda aos quais não tem a humildade, não concordam em adotar o senso e o respeito comum, a ética e o entender como o mercado funciona. Não fui eu que criei esse mercado, as coisas funcionam assim, desde que o mundo é mundo.

O pior é os que vem criticar o trabalho dos outros que já tem experiência e know-how na área, com ofensas gratuitas, palavrões, xingamentos (como falei e parafraseando um amigo, não reconheço críticas de quem posta “simplismente” e também “dicerni” ou então de quem convoca Black Blocks como o futuro da nação e, sim! Essa mensagem é para você que postou isso), mas enfim, a vida segue e o tempo vai mostrando as coisas.

Ou como diz o amigo Cleyton Santos: “Boa sorte!”

Infelizmente algumas webs não querem roer o osso, preferem já ter o filé, principalmente quando o filé é pago pelos outros.

Reitero o desejo. Boa sorte!…

 

Ivan Bruno é diretor do Painel da Webrádio, portal que há 3 anos fala das webs do Brasil e da America Latina e também é narrador do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
Jornalista formado que atua com webemissoras há 12 anos e trabalha em rádios há 07. Atuou em webs como a Teen Webrádio, Top Webrádio, Top A Webrádio Rock e emissoras como Rede Super Sucesso de Rádio e Rádio Bradesco Esportes FM.

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